Total Money Makeover – Como melhorar a sua vida

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Total Money Makeover – Como melhorar a sua vida

6 min Partilhar 28 de Janeiro, 2021

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Tenho acompanhado nos últimos meses o trabalho que o Dave Ramsey tem feito nos EUA. Depois de ter batido no fundo decidiu mudar de vida e dedicar-se a ajudar as famílias a melhorar as suas vidas. Neste artigo vamos passar pelos vários passos para fazer uma mudança completa na sua vida financeira, com as devidas adaptações à realidade Portuguesa. Como perceberá, gostei muito do livro pelo que recomendo vivamente a sua leitura.

Ideias de Base

O livro que apresento tem um conjunto de ideias que estarão na base de todos aqueles que querem mudar de vida. Destaco aquelas que mais me chamaram à atenção:

Frugalidade

O termo frugalidade é utilizado neste livro como sinónimo de viver abaixo das nossas possibilidades. Por outras palavras, defende que para mudar de vida tem de começar por gastar menos do que ganha. É simples e evidente, mas uma coisa é a teoria e a outra é a prática. Assim, se quer fazer uma mudança radical, tem de começar a viver uma vida com maior frugalidade. Cortar em alguns gastos supérfluos e ter muito rigor no corte de custos de modo a libertar liquidez para os vários pontos que lhe apresentarei de seguida.

Combater a comparação social

Talvez uma das grandes causas de problemas financeiros e de excesso de endividamento, a comparação social é um autêntico cancro para as nossas finanças. Queremos comparar-nos com os vizinhos, com os amigos ou com outra pessoa qualquer e acabamos por gastar acima das nossas possibilidades. Na prática, ignoramos se as pessoas com quem nos queremos comparar fazem as suas compras com crédito ou com dinheiro de família, por exemplo. Não nos comparemos. Vivamos de acordo com aquilo que são as nossas prioridades e valores e esqueçamos a comparação, que só nos leva à ruína.

Viver como ninguém agora para viver como ninguém no futuro

Um último destaque que quero deixar é uma frase que traduzida à letra não fica tão bem como no original. Na prática, diz-nos que deveremos procurar ter uma vida diferente de todos os outros (ou seja, mais frugal e contida) para que no futuro consigamos ter uma vida muito melhor do que toda a gente e com tudo o que o dinheiro nos pode trazer de bom. Sim, para melhorarmos a nossa vida financeira temos de nos adaptar hoje para que no futuro tenhamos muito melhores condições de vida. Ou seja, inverter o processo. Tipicamente gastamos com recurso ao crédito e passamos a vida a pagar o crédito e os juros. A proposta é a contrária. Cortar com os pagamentos mensais para libertar liquidez para poupar e investir.

5 ou 7 passos para a sua mudança de vida

O programa inicial do Dave Ramsey inclui 7 passos. No entanto, sendo um livro escrito para a realidade americana, creio que para Portugal poderá ser resumido em 5 ou 6 passos. Para que tire as suas conclusões vou apresentar os 7 passos e deixar algumas opiniões.

1. Poupe €1.000

O primeiro passo consiste em ter uma poupança para fazer face às principais emergências que nos podem aparecer. Antes de avançar para os passos seguintes, tem de dispor de €1.000 numa conta poupança com elevada liquidez. Sempre que utilizar o dinheiro deve parar todos os passos seguintes para voltar a colocar esta poupança de volta nos €1.000. A ideia é simples. De pouco vale avançar no processo se tivermos de parar abruptamente por falta de poupanças para pequenos imprevistos como sendo o arranjo de um automóvel ou um tratamento dentário de urgência.

2. Pagar todas as dívidas menos a da cada

Depois de termos assegurado uma pequena poupança para emergência, sugere que comecemos a atacar todas as dívidas que dispomos, menos a da casa (que é a de maior valor). O motivo é prático e fácil de compreender. Não faz sentido poupar ou investir com risco e com baixas taxas de retorno se temos dívidas de curto prazo que nos levam muito dinheiro em juros, com taxas elevadas.

Neste tópico, apresenta a ideia de Debt Snowball. Em poucas palavras, defende que listemos as dívidas começando no topo (a dívida mais prioritária para pagamento) pela dívida de montante mais baixo. Financeiramente pode não ser a melhor solução, na medida em que deveria ser a dívida com a taxa mais elevada, pois a poupança de juros será maior nesse caso. No entanto, defende a listagem pelo montante mais baixo pois procura usar aqui do efeito psicológico de se acabar com linhas de crédito. Na prática, ao acabar com um crédito vamos sentir no imediato um prazer enorme e ganhamos em motivação. Faz sentido. Ao pagar o primeiro crédito, toda a liquidez que sobra é somada ao valor que pagaria na prestação desse crédito para liquidar o seguinte, repetindo-se o processo até deixar de ter dívidas.

3. Concluir o fundo de emergência

Depois de pagas as dívidas de curto prazo, irá ter uma liquidez mensal muito maior. Se considerarmos que para muitas famílias estes créditos levam mais de €500 todos os meses, percebemos claramente o alívio que teremos no nosso orçamento familiar. Esse dinheiro deve ser destinado ao este passo, que consiste em acumular o equivalente a 3 a 6 meses de despesas essenciais mensais. De notar que não falamos de rendimento mensal mas antes das principais despesas que temos, como o pagamento da renda, da eletricidade, gás, água, alimentação, medicamentos, transportes, entre outros.

4. Poupar para a reforma

O quarto passo, cada vez mais essencial nos dias que correm, consiste em ter um programa de entregas programadas para um fundo de poupança reforma. Neste campo, fala-nos de uma percentagem do rendimento disponível na ordem dos 10% a 15%, todos os meses. Pode parecer uma taxa demasiado elevada mas volto a referir que depois de pagas as dívidas todas temos muito mais rendimento disponível para poupança.

Neste ponto temos uma diferença grande entre Portugal e os EUA. Se em Portugal dispomos de um sistema público de pensões que nos irá garantir uma pensão (por mais pequena que venha a ser), nos EUA as pessoas são mais deixadas por sua conta e risco. Logo, poderemos considerar para Portugal uma taxa de 5% do rendimento líquido da família para poupança reforma, especialmente destinado a aplicações pensadas para o efeito, como sendo os PPR ou os Fundos de Pensões (dos dois prefiro o primeiro).

5. Financiar a Universidade

Outra diferença entre Portugal e os EUA e que está na base do excesso de endividamento americano é a necessidade de pagamento das Universidades e despesas associadas. Sim, em Portugal também pagamos universidades privadas, mas a diferença de preço é abismal. Um estudante universitário americano poderá chegar ao fim do curso com dívidas superiores a $50.000.

Adaptando este ponto para Portugal, poderá destinar parte do seu rendimento disponível para um objetivo de médio prazo que a família tenha. No entanto, não acreditamos que este ponto seja assim tão fundamental, pelo que poderíamos retirá-lo da listagem.

6. Pagar a hipoteca da sua habitação própria

O quinto passo neste processo de mudança de vida financeira consiste na liquidação da hipoteca da sua habitação própria. Em poucas palavras, pagar antecipadamente o seu crédito habitação. Neste ponto tenho alguma discórdia, também devido a diferenças entre a realidade dos EUA e a realidade portuguesa. Ou seja, é comum nos EUA as famílias pagarem taxas de juro na casa dos 5%-7% por ano. São taxas fixas muito elevadas, pelo que o peso dos juros é demasiado elevado, especialmente para montantes tão altos. Como sabemos, em Portugal e nos últimos anos, as taxas de juro do crédito habitação rondam os 1%-2%. É certo que já tivemos taxas mais elevadas, mas nunca naquela ordem de grandeza (pelo menos nas últimas décadas, pois claramente que já tivemos taxas muito mais elevadas).

Tendo em conta a realidade portuguesa, acreditamos que o pagamento do crédito habitação pode não ser a melhor decisão financeira para todas aquelas pessoas que conseguem destinar o valor que usariam para amortizar o crédito para poupanças e investimentos. De notar que se não tiver a disciplina para poupar dinheiro e o conhecimento para o investir, será recomendável que amortize o crédito. Como diz o ditado, mais vale um pássaro na mão do que dois a voar. Se tiver o conhecimento, a disciplina e o gosto pelos investimentos, é provável que consiga um retorno maior do que o custo do crédito.

7. Investir

Chegado a este último ponto e como reforçado em pontos anteriores, já terá um grande espaço no seu orçamento familiar para poupar, para investir e também para gastar. O seu esforço valeu a pena porque tem agora a possibilidade para viver com maior qualidade de vida e livre de créditos. Assim, um esforço maior passa por construir a sua carteira de investimentos de modo a aumentar o seu património. Poderá inclusivamente chegar a altura em que pode viver dos rendimentos dos seus investimentos. Já viu como se sentiria nessa altura? E já viu os olhos de todos aqueles que criticaram a sua opção por uma vida mais frugal?

A inteligência financeira diz-nos que é possível colocar o dinheiro a trabalhar para nós. Diz-nos que regras simples nos podem ajudar a ter uma vida com muito mais conforto e qualidade de vida. O problema é quando ignoramos as regras básicas e ficamos a viver para pagar aos bancos. Tornamo-nos escravos dos nossos credores. Por que não inverter o processo?



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