A gestão da mesada

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Educação Financeira

Algumas vezes questionam-me sobre a pedagogia de dar uma mesada, ou semanada, aos filhos e a resposta nunca poderá ser única, pois tem de ser sempre adaptada a cada realidade. Ainda assim, atrever-me-ia a dizer que, regra geral, quando os filhos já têm 10 anos para cima, dar uma mesada é uma boa oportunidade de educar.

Reforço que o mote terá de ser sempre este: dar para educar. Ou seja, se entendemos a mesada como uma entrega de um dinheiro para os gastos do filho sem haver uma pedagogia por detrás, então podemos estar a prestar um mau serviço como educadores.

Gosto de entender a mesada como um dinheiro que é dado para ser gerido e não para ser gasto. A diferença é que na gestão há uma avaliação do que foi feito e espera-se uma otimização de utilização dos recursos. Se os filhos entenderem a mesada como um dinheiro que têm para gastar (e não para gerir) podemos estar a perder uma oportunidade de começar a educação financeira dos mais pequenos.

O dinheiro é dos campos que tem mais impacto nas nossas vidas, pelo que cuidar dessa dimensão desde pequeno ajudará muito ao equilíbrio futuro dos nossos filhos. Porque não pensar em atribuir uma espécie de prémios de gestão mediante pequenos desafios que damos ao nosso filho? Este exercício deve ser entendido como uma brincadeira saudável.

Criar dinâmicas que ajudem a criança a entender que o dinheiro que tem nas mãos pode ser utilizado para alguns gastos ponderados, mas também para a poupança ou mesmo para a doação a alguém que também precise, é procurar trazer “à tona de água” o melhor dos nossos filhos.

São estes pequenos gestos que podem operar grandes mudanças na sociedade. Se, pelo contrário, damos a entender que o dinheiro é todo para ser gasto, estamos a criar uma sociedade pouco atenta aos outros e sem grandes preocupações com o futuro.

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João Morais Barbosa
Iniciou a sua carreira no setor financeiro onde desempenhou funções de analista de ações e gestor de fundos de investimento. Especialização em mercados e ativos financeiros no ISCTE e uma pós-graduação em Análise Financeira no ISEG, curso que lhe conferiu o Certificado Europeu de Analista Financeiro. Fundou a Escola de Finanças Pessoais – sendo co-autor de seis livros nesta temática (Manual das Finanças Pessoais, Manual da Poupança, Como Acabar com as Dívidas Pessoais e Familiares, O meu primeiro livro de Finanças Pessoais e Como ensinar o meu filho a poupar, Viva uma Reforma Feliz). Através da Escola de Finanças Pessoais já formou mais de 5.000 colaboradores de empresas nacionais e internacionais. Tendo sido Diretor-Comercial na DignusCapital, decide criar o seu projeto próprio na área da renegociação e intermediação de crédito, fundando a Reorganiza, empresa onde trabalha atualmente.

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