Dar ou não dar mesada ao seu filho?

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O tempo e o afeto têm sido substituídos nas relações familiares pelo dinheiro. A falta de tempo e as pressões sociais têm feito a sua mossa, numa sociedade que cada vez desvaloriza mais a relação de autoridade em casa.

Criamos miúdos mimados que se sentem no direito de exigir dos pais uma mesada e já agora que lhes paguemos por aquilo que é sua obrigação. Quantos mais não se confrontam com exigências de mesadas ou com a tentação de pagar aos filhos para terem boas notas?

Neste ambiente avesso à educação, é importante que nos questionemos sobre a importância das mesadas na educação dos filhos. De facto, uma mesada pode ser um ótimo instrumento de educação financeira na medida em que respeite algumas regras:

  • ser um valor escasso e que obrigue à tomada de opções;
  • ser um valor fixo e que não é complementado por pedidos adicionais quando o valor for gasto;
  • não ser considerado um direito mas sim um privilégio que deve ser agradecido e
  • considerar a obrigatoriedade de poupança de parte desse valor para o futuro.

Como pais não nos devemos sentir obrigados a dar uma mesada. Podemos antes usar a mesada para educar os nossos filhos, para os ajudar a perceber para que serve o dinheiro e o que custa conquistar. Mas devemos resistir à tentação de ceder a todas as exigências dos nossos filhos mesmo que possamos dar mais.

Nunca esquecer que o critério deve ser “qual o bem” e nunca “qual o mal”, porque educamos os miúdos para o bem. Para serem melhores. E temos essa obrigação grave que não devemos repudiar. Porque os educadores somos nós!

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João Morais Barbosa
Iniciou a sua carreira no setor financeiro onde desempenhou funções de analista de ações e gestor de fundos de investimento. Especialização em mercados e ativos financeiros no ISCTE e uma pós-graduação em Análise Financeira no ISEG, curso que lhe conferiu o Certificado Europeu de Analista Financeiro. Fundou a Escola de Finanças Pessoais – sendo co-autor de seis livros nesta temática (Manual das Finanças Pessoais, Manual da Poupança, Como Acabar com as Dívidas Pessoais e Familiares, O meu primeiro livro de Finanças Pessoais e Como ensinar o meu filho a poupar, Viva uma Reforma Feliz). Através da Escola de Finanças Pessoais já formou mais de 5.000 colaboradores de empresas nacionais e internacionais. Tendo sido Diretor-Comercial na DignusCapital, decide criar o seu projeto próprio na área da renegociação e intermediação de crédito, fundando a Reorganiza, empresa onde trabalha atualmente.

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