Necessidades de Fundo Maneio e Gestão de Tesouraria

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Gestão

Permitam-me que compare uma empresa a um particular no processo de gestão de tesouraria. Tal como os particulares enfrentam a pressão da dívida por utilização ineficiente dos cartões de crédito ou do crédito de um forma geral, também as empresas enfrentam a pressão do endividamento através da ineficiente gestão de tesouraria.

É certo que são dois produtos distintos, mas a verdade é que ambos representam responsabilidades de curto prazo e ambos consomem a liquidez dos seus detentores. Assim sendo, as empresas enfrentam dificuldades sempre que possuem uma gestão de liquidez ineficiente que no longo prazo nem o recurso aos apoios à tesouraria disponibilizados pelos bancos proporcionam equilíbrio financeiro.

Por experiência própria, as razões invocadas pelos empresários sempre que recorrem aos apoios à tesouraria são as necessidades de fundo maneio, ou seja, a falta de liquidez existente na empresa, ou contabilisticamente falando, a necessidade de fundos para manter o ciclo operacional da empresa.

Deste modo, ocorrem necessidades de fundo de maneio sempre que existe desfasamento entre compras e vendas e entre vendas e recebimentos. Parece-me assim claro que a fórmula das Necessidades de Fundo Maneio resume-se a:

NFM = Existências + Clientes – Fornecedores

Empresários de Olho nas NFM

Tal qual as Necessidades de Fundo de Maneio revelam informação de gestão de tesouraria para o empresário e indica todos os elementos para decisão da estratégia de tesouraria, também para os bancos este indicador revela informação pertinente para a análise de risco da empresa.

Do ponto de vista do empresário não existem dúvidas, pois quanto menor a conta de clientes e/ou existências, e/ou maior a conta de fornecedores, menos necessidades de fundo maneio necessita para conduzir a sua empresa. Pode parecer confuso, mas se um empresário possuir milhares de euros em existências possui milhares de euros parados para entrarem no processo produtivo. De igual modo se possuir uma conta de clientes elevada poderá significar dificuldades na cobrança. Já do lado dos fornecedores, quanto maior este valor significa que possui margem junto dos mesmos, podendo adiar a responsabilidade de pagamento, no entanto, é sempre necessário manter o equilíbrio.

Isto leva-nos a três medidas extremamente importante na gestão de tesouraria, nomeadamente:

  1. Prazo médio de recebimentos (PMR);
  2. Prazo médio de pagamentos (PMT);
  3. Prazo médio de existências (PME).

Cada um destes indicadores fornecem informação pertinente, pois se um empresário possuir um prazo médio de pagamentos inferior ao prazo médio de recebimentos significa necessidades de liquidez na empresa, ou seja, necessita de cumprir com as suas responsabilidades junto dos fornecedores antes de receber dos seus clientes.

Para agravar esta situação junta-se um prazo médio de existências elevado que conjuntamente com um prazo médio de recebimentos elevado significam aperto financeiro e encargos financeiros com bancos no recurso ao crédito.

Os Bancos de Olhos nas NFM

Para os bancos, as necessidades de fundo maneio e os indicadores relevantes, nomeadamente, PMR, PMT e PME são extremamente importantes e revelam informação de risco pertinente.

Do ponto de vista dos bancos existir necessidades de fundo maneio é normal e representa uma oportunidade de negócio, mas também  revela que tais necessidades de fundo maneio, quando oriundas da má gestão, poderão representar aperto financeiro do empresário e consequente risco de incumprimento dos apoios à tesouraria concedidos.

Assim sendo, são todos analisados ao pormenor para antever dificuldades da empresa e assim estudar a concessão ou manutenção do apoio de tesouraria. Na prática, uma boa ferramenta para a gestão da tesouraria das empresas passa por contas correntes selecionadas. Nem todas são boas. Existem inúmeros fatores a ter em conta. Contacte a Reorganiza e veja qual a melhor alternativa para o seu caso específico.

O que Pode o Empresário Fazer

Nem sempre é fácil gerir a tesouraria de uma empresa e regra geral a pressão do mercado e as necessidades de resposta a oportunidades de negócio poderão, por certos períodos de tempo, pressionar as necessidades de tesouraria para níveis significativos.

Esta informação também é avaliada pelo banco, desde que o empresário forneça toda a informação relevante. Do meu ponto de vista é uma mais valia para o empresário partilhar a sua visão de futuro para a empresa com o banco sempre que surge a necessidade de solicitar ou negociar um apoio à tesouraria ou crédito bancário.

Retirando os bancos do processo de gestão de liquidez, surge assim diversas ferramentas para o empresário contrariar a pressão da liquidez que necessita para manter o ciclo operacional da sua empresa em funcionamento.

Desde de há muito tempo que as ferramentas existem e estão ao alcance de todos e de uma forma geral resumem-se a simples passos de minimização e maximização, isto é:

  • Maximizar os prazos de pagamento e valores junto de fornecedores;
  • Minimizar os prazos de recebimento e valores dos clientes;
  • Minimizar as existências em stock e seus respectivos valores.

Dicas Úteis

  • Negociação de prazos mais longos de pagamentos junto dos fornecedores, quer seja através de negociação direta ou através de disponibilização de garantias junto dos fornecedores (desde que os custos não sejam significativos e a importância do fornecedores seja vital para a empresa);
  • Criação de um sistema de cobrança e recebimentos eficaz de modo a diminuir os valores de clientes e prazos de recebimento, quer seja através de incentivos ao pronto pagamento ou incentivos a prazos curtos, ou em casos  extremos, o recurso aos bancos para factoring desde que os custos não representem um encargo significativo;
  • Elaborar um programa de gestão e controlo de stocks que se enquadre com a atividade da empresa e que não represente um risco para a mesma, quer seja através da aplicação de  politicas just-in-time ou venda de mercadorias em consignação, com a criação de parcerias com fornecedores ou avaliação de fornecedores que se encontrem próximos do local produtivo de forma a minimizar as existências.

Outras Recomendações

Definitivamente, não existem muitas dicas e recomendações para este tipo de processo de gestão de liquidez que não tenham sido mencionadas anteriormente, todavia, do ponto de vista dos bancos existem dicas fundamentais para que os empresários não entrem em desespero financeiro.

Antecipar é Gerir Corretamente

Regra geral os empresários recorrem aos bancos solicitando apoios à tesouraria sempre que tais necessidades de fundo maneio surgem. Nestes períodos não possuem indicadores de liquidez a funcionar a seu favor, permitindo que os bancos analisem o risco da operação e proponham operações de crédito pouco vantajosas, como costumo chamar de, operações relâmpago.

Este tipo de operações se não analisadas com cuidado e simuladas na gestão empresarial, podem significar mais dificuldades do que soluções. Assim sendo, é imperativo que o empresário tenha em mente a antecipação de necessidades de tesouraria e detenham, como almofada, um pequeno apoio bancário.

Ao antecipar, os empresários possuem a oportunidade de negociar e analisar todas as propostas e procurar a melhor operação de crédito, que envolva menos custos e não tenha grande impacto financeiro.

Nem Todos os Produtos são os Mais Corretos

Comummente, os descobertos bancários e as contas correntes caucionadas são o produto proposto para gestão de tesouraria, todavia, é necessário que o empresário saiba exatamente quais os produtos que melhor se enquadram com os objectivos da empresa.

Por exemplo, se o empresário antevê que irá possuir necessidades de fundo de maneio porque alguns clientes não vão honrar com os seus compromissos então, entrar numa operação de desconto, como por exemplo, desconto de efeitos, cheques pré-datados ou factoring poderá ser uma mais valia, desde que, avaliados todos os custos. De igual modo, se a previsão for meramente do lado da procura então um descoberto ou ainda uma conta corrente caucionada poderá ser o produto indicado.

Infelizmente nem todos os gestores bancários de empresas possuem a capacidade necessária para conjuntamente com o empresário avaliar qual o produto mais vantajoso, pois possuem outros objectivos e por vezes o empresário não revela toda a informação necessária para identificação do produto ideal.

Tesouraria é Tesouraria

Felizmente muitos dos pequenos, médios e grandes empresários não são doutores nem engenheiros, no entanto são visionários e persistentes trabalhadores, mas, infelizmente aprendem com os erros do passado e um dos erros mais comuns é a solicitação de apoios à tesouraria para a empresa que utilizam para investimento. Este procedimento é pouco correto, pois investimento deverá ser solicitado numa óptica de amortização a médio ou longo prazo enquanto que tesouraria possuem uma óptica de curto prazo.

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