Conta bancária em dólares – Valerá a pena?

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Nos últimos anos têm surgido algumas ofertas bancárias de contas à ordem em moedas diferentes de euros. Neste artigo vamos falar-lhe das potencialidades de uma conta bancária em dólares dos Estados Unidos da América (USD).

Para quê ter uma conta em moeda estrangeira?

Com a crise veio o receio em torno do Euro e da solidez dos bancos na Europa. Com a crise veio também uma nova visão sobre a diversificação do risco, sendo que os Estados Unidos sempre foram vistos como um refúgio em situações de incerteza.

A questão em torno da detenção de uma conta em moeda estrangeira prende-se mais com o objetivo concreto. Quais os motivos que o levam a querer ter uma conta em USD?

  • Diversificar o risco?
  • Procurar outros níveis de retorno?
  • Eliminar o risco cambial de uma compra futura?

Como ganhar dinheiro em moeda estrangeira?

O investimento cambial é um investimento envolvo em muita incerteza. Não é fácil determinar se uma determinada moeda irá valorizar ou desvalorizar em relação a outra moeda. É também um mercado com enorme liquidez e muita informação disponível, pelo que as oportunidades de negócio acabam por ser mais limitadas. Dito isto, existe algo que pode fazer toda a diferença quando procura rentabilizar as suas poupanças, especialmente numa altura em que as taxas de juro na Europa estão tão baixas: o diferencial de taxas de juro.

Como beneficiar do diferencial de taxas de juro?

Para fazer esta análise, iremos reportar-nos às taxas de depósitos a prazo publicadas pelo Banco BNI Europa em 08 de Outubro de 2018 e iremos comparar as diferentes taxas quer em Euros quer em USD (para montantes mínimos de USD 5.000).

  • 30 Dias – 1.05%
  • 92 Dias – 1.32%;
  • 183 Dias – 1.52%;
  • 366 Dias – 1.82%

Se reparar, estas taxas de juro são muito superiores às taxas que são habitualmente praticadas no mercado em Euros. Neste mesmo banco, vemos as seguintes taxas para os depósitos em EUR (para montantes superiores a €1.000):

  • 30 Dias – 0.2%
  • 92 Dias – 0.4%;
  • 183 Dias – 0.7%;
  • 366 Dias – 0.9%

De notar que mesmo assim as taxas de juro do BNI Europa em Euros são muito competitivas à média de mercado. Em Portugal os bancos tradicionais estão a cortar na remuneração dos depósitos a prazo e em muitos casos as taxas não chegam a passar dos 0.5%.

Como justificamos aquele diferencial?

Ao comparar as taxas de depósitos a prazo para as duas moedas, facilmente percebemos que o retorno da poupança em USD é praticamente o dobro do investimento em EUR. E esta diferença é explicada fundamentalmente pela diferença de taxas de juro dos diferentes bancos centrais. Na Europa a taxa de juro do BCE é zero, quando nos EUA é de 2% sendo que em breve se espera que venha a subir de novo. Logo, os investidores irão exigir um retorno superior se colocarem o dinheiro nos EUA do que se colocarem na Zona Euro.

É certo que este diferencial de taxas de juro espelha diferenças no comportamento das economias e também diferentes expetativas quanto ao futuro. De notar, por exemplo, as dificuldades políticas que se vivem na Europa, nomeadamente em Espanha e em Itália.

Qual o risco de fazer um depósito a prazo em USD?

O principal risco que corre quem faz um depósito a prazo em moeda estrangeira prende-se com a desvalorização da moeda. Ou seja, se aplicar $5.000 USD e se o USD se desvalorizar face ao EUR, o investidor obtém o retorno percentual mas irá ter uma perda que se deve ao câmbio. É certo que o contrário também é verdade. Se o USD valorizar o investidor não só ganha o retorno percentual como ainda obtém um retorno cambial. Mas em ambos os casos assume o risco.

Quer aplique as suas poupanças em EUR ou em USD, o Banco BNI Europa tem uma oferta de taxas de juro bastante atrativas face à média de mercado bem como a ausência de comissões de manutenção de conta. Assim, pode ser uma alternativa interessante para a gestão do seu dia-a-dia.

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João Morais Barbosa
Iniciou a sua carreira no setor financeiro onde desempenhou funções de analista de ações e gestor de fundos de investimento. Especialização em mercados e ativos financeiros no ISCTE e uma pós-graduação em Análise Financeira no ISEG, curso que lhe conferiu o Certificado Europeu de Analista Financeiro. Fundou a Escola de Finanças Pessoais – sendo co-autor de seis livros nesta temática (Manual das Finanças Pessoais, Manual da Poupança, Como Acabar com as Dívidas Pessoais e Familiares, O meu primeiro livro de Finanças Pessoais e Como ensinar o meu filho a poupar, Viva uma Reforma Feliz). Através da Escola de Finanças Pessoais já formou mais de 5.000 colaboradores de empresas nacionais e internacionais. Tendo sido Diretor-Comercial na DignusCapital, decide criar o seu projeto próprio na área da renegociação e intermediação de crédito, fundando a Reorganiza, empresa onde trabalha atualmente.

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