Evolução do meu investimento com a Raize

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RAIZE

Tenho vindo a apresentar algumas ideias da minha estratégia de investimento com empresas ou plataformas de investimento alternativas. Nunca é de mais referir que estas são as minhas estratégias e que não são recomendações de investimento. Neste artigo vou atualizar o meu investimento (leia o primeiro artigo) e deixar algumas notas que podem ser interessantes para quem quer conhecer em mais detalhe esta ferramenta.

Evolução da taxa de juro média

Recentemente reforcei o investimento na Raize. Aliás, costumo referir que quem quer iniciar algum investimento deve começar por experimentar, ganhar experiência e se a sua opinião e avaliação for positiva, poderá aumentar o envolvimento. É o que tenho vindo a fazer com a Raize. Comecei com um baixo montante e fui aumentando o investimento.

A dada altura, fiz um reforço substancial na minha carteira (não em valor mas dupliquei o investimento). Como tenho o critério de investir no máximo €30-€40 por cada empresa, o reinvestimento demorou algum tempo, algo que me desperta alguns comentários que já deixarei abaixo. Este reforço do investimento tem demorado a ficar efetivo pois por mais interessante que seja a plataforma é necessário que cada vez mais empresas recorram a esta ferramenta para procurar financiamento.

Contas feitas, tinha uma taxa de juro média de 7.5% (taxa anual) e esta taxa baixou para 7.2%, ainda assim uma taxa razoável face às taxas que são praticadas no mercado noutros produtos. De notar, contudo, que estes investimentos têm risco pelo que é necessário uma boa diversificação… e estar disposto a perder dinheiro em algum dos empréstimos (daí referir que no máximo quero investir €30-€40 por empresa).

Incumprimento

Há uns meses atrás tinha referido que nunca tinha tido um empréstimo em incumprimento. No entanto, dias depois de publicar o meu primeiro texto tive duas empresas a atrasar o pagamento. Só o soube por acaso. A Raize não me comunicou nada nem me informou dos esforços de recuperação do crédito (é um facto que nas FAQ’s referem a estratégia de recuperação e os vários passos).

As duas empresas pesavam cada uma menos de 1% da minha carteira e à medida que fui aumentando o investimento ainda se reduziu mais esse peso. No entanto, nos últimos dias consultei os empréstimos em atraso e conclui que as duas empresas (banca C de risco) tinham já voltado a pagar e que agora tinha outras duas em atraso. Calculo que será assim com o tempo. Umas voltam a pagar, outras deixam de pagar, num ciclo que se repetirá. É a vida.

Comentários à plataforma

Estou bastante contente com a minha experiência com a Raize e os resultados têm sido interessantes. É certo que estou nisto para o longo prazo, que uso uma estratégia de diversificação agressiva (que me condiciona o reinvestimento) e que faço uso do investimento automático (que me garante que tenho uma parte dos novos empréstimos que surgem pois, caso contrário, quando os empréstimos aparecem já estão completamente tomados). Deixo alguns comentários:

  • O mercado de cessões faz sentido pois permite-nos investir de imediato. São poucas as vendas de empréstimos mas caso encontre seja rápido pois as vendas acontecem muito rapidamente. Ao comprar um empréstimo não tem de esperar que a empresa aceite e que o dinheiro seja transferido para essa empresa. Poupa ai umas boas semanas de retorno;
  • Algumas empresas têm antecipado pagamentos, o que é possível e é saudável;
  • A estratégia de investimento automático pode levar a que compre empréstimos com uma taxa de juro mais baixa, o que me parece que deva ser a tendência nos próximos tempos. No entanto, tenha em atenção que quanto mais alta a taxa maior o risco do investimento (recorde-se que as empresas que se atrasaram tinham todas taxas superiores a 9%);
  • Espero que a Raize se mantenha rigorosa na avaliação do risco das empresas. Este é o meu maior receio (se bem que não tenho motivos para desconfiar de qualquer afrouxamento da análise de risco). Parece-me que com o aumento dos investidores nesta plataforma, se não for acompanhado pelo aumento de empresas a pedirem financiamento, será mais difícil investir e com taxas de juro razoáveis. Aqui pode surgir o risco da Raize aceitar todos os empréstimos, ser menos rigorosa e baixar as taxas de juro. Em suma, um problema de escala a que irei estar atento.

Como dizem na apresentação, esta é uma forma interessante de financiar a economia. É uma forma diferente. E é uma possibilidade de termos níveis de retorno mais interessante, contornando o sistema financeiro. Convém nunca esquecer a necessidade de conhecer bem a plataforma, a forma de financiamento e os riscos que podem surgir. Se quiser investir nesta plataforma visite a página da Raize, inscreva-se e inicie o seu percurso.

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João Morais Barbosa
Iniciou a sua carreira no setor financeiro onde desempenhou funções de analista de ações e gestor de fundos de investimento. Especialização em mercados e ativos financeiros no ISCTE e uma pós-graduação em Análise Financeira no ISEG, curso que lhe conferiu o Certificado Europeu de Analista Financeiro. Fundou a Escola de Finanças Pessoais – sendo co-autor de seis livros nesta temática (Manual das Finanças Pessoais, Manual da Poupança, Como Acabar com as Dívidas Pessoais e Familiares, O meu primeiro livro de Finanças Pessoais e Como ensinar o meu filho a poupar, Viva uma Reforma Feliz). Através da Escola de Finanças Pessoais já formou mais de 5.000 colaboradores de empresas nacionais e internacionais. Tendo sido Diretor-Comercial na DignusCapital, decide criar o seu projeto próprio na área da renegociação e intermediação de crédito, fundando a Reorganiza, empresa onde trabalha atualmente.

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