A minha estratégia de investimento com a RAIZE

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RAIZE

Sou um curioso sobre novas estratégias para rentabilizar o meu dinheiro. Tenho vindo a estudar (mas pouco) as criptomoedas e comecei há pouco tempo a investir usando a plataforma RAIZE. Neste artigo vou falar um pouco da minha experiência nesta plataforma.

O que é a RAIZE?

A plataforma RAIZE é uma plataforma digital, desenvolvida por portugueses (por acaso estudámos na mesma universidade mas não nos conhecemos) e que se destina a servir de mercado para empréstimos a empresas. Na prática, junta investidores particulares (e alguns institucionais) a empresas que querem diversificar as suas fontes de financiamento.

A RAIZE analisa as empresas, os seus rácios financeiros e a sua capacidade para devolver o dinheiro emprestado, dando-lhe um rating, cujos critérios podem ser conhecidos no site da plataforma. A relação entre o rating e o prazo do investimento irá determinar uma taxa de juro indicativa que mesmo assim poderá ser diferente (podemos exigir que nos paguem mais, ficando a aceitação ao critério da empresa que receberá o empréstimo).

Como comecei?

Não conhecendo a plataforma e o funcionamento destes empréstimos transferi €500 para uma conta que criei na plataforma (foi muito simples, completamente online). Com este dinheiro fiz duas coisas:

  • Comprei um empréstimo no mercado de cessões (onde outros investidores podem vender as posições que já não querem);
  • Fiz 4-5 ofertas a empréstimos que estavam à procura de investidores.

O empréstimo da compra ficou logo disponível e fiquei desde logo credor daquela empresa (acho que era uma empresa de sapatos). Os restantes empréstimos fiquei alguns dias a aguardar que fossem aceites e financiados. No momento do financiamento recebi a documentação de suporte no meu email.

Evoluindo no investimento

Tendo estes empréstimos deixei o tempo correr. Foi interessante receber no meu email os emails de confirmação de pagamento das prestações. Na altura foram 4-5 emails que recebi em vários dias dizendo que a empresa x ou y me pagou a prestação devida. Soube bem, apesar do valor dos pagamentos ser muito reduzido (pois também o era o valor do investimento).

Deixando passar alguns meses decidi reforçar o meu investimento em mais dois momentos. Nesta altura decidi utilizar o tracker que mais não é do que um sistema automático de colocação de ofertas. Logo que uma empresa quer financiamento as ofertas são automáticas e assim conseguia garantir o investimento. Não tenho controlo sobre as ofertas (porque compro tudo), algo que poderia ser alterado em desenvolvimentos futuros. Mas garanto a diversificação do investimento.

A minha carteira atual e a evolução do retorno

A minha carteira atual tem um valor baixo (gostava que fosse mais, claro). No entanto, o importante a reter é:

  • Emprestei dinheiro a mais de 40 empresas;
  • A taxa de juro média é de 7.5% ao ano;
  • Ainda não tive qualquer atraso de pagamento (o que é possível);
  • Recebo 40 emails por mês com o pagamento da prestação (e respetiva retenção na fonte);

Tenho reinvestido o valor das prestações que recebo para garantir que vou tendo mais empréstimos e beneficio do efeito dos juros compostos.

Sou capaz de vir a aumentar o meu envolvimento. Ainda não tive nenhuma má experiência com atrasos de pagamento e estou a considerar que isso irá acontecer mais cedo ou mais tarde (aqui conto com a capacidade de análise da plataforma na aceitação do credor e com a sua capacidade de recuperação dos valores em falta, bem como os respetivos juros de mora). São estes os riscos dos investimentos que justificam o retorno que espero obter. Mas a vantagem da diversificação através da RAIZE é que podemos fazer empréstimos a partir de €20 a dezenas de empresas. Se uma se atrasar num pagamento o impacto na carteira total não será expressivo.

Pelo que sei estão a aparecer mais plataformas do género e esta será a tendência. Parece-me que os bancos irão perder alguma quota de mercado para sistemas de crowdfunding (que não me agradam particularmente porque as avaliações são ridículas) e para sistemas de financiamento como a RAIZE. O impacto é ainda residual mas o contributo para a diversificação dos meus investimentos é já ele interessante. Em última análise, não esquecer que se queremos ganhar dinheiro temos de ser pacientes

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João Morais Barbosa
Iniciou a sua carreira no setor financeiro onde desempenhou funções de analista de ações e gestor de fundos de investimento. Especialização em mercados e ativos financeiros no ISCTE e uma pós-graduação em Análise Financeira no ISEG, curso que lhe conferiu o Certificado Europeu de Analista Financeiro. Fundou a Escola de Finanças Pessoais – sendo co-autor de seis livros nesta temática (Manual das Finanças Pessoais, Manual da Poupança, Como Acabar com as Dívidas Pessoais e Familiares, O meu primeiro livro de Finanças Pessoais e Como ensinar o meu filho a poupar, Viva uma Reforma Feliz). Através da Escola de Finanças Pessoais já formou mais de 5.000 colaboradores de empresas nacionais e internacionais. Tendo sido Diretor-Comercial na DignusCapital, decide criar o seu projeto próprio na área da renegociação e intermediação de crédito, fundando a Reorganiza, empresa onde trabalha atualmente.

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