Porque vou vender a minha carteira na RAIZE?

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Quem nos acompanha tem analisado a nossa experiência com a Fintech portuguesa RAIZE. Neste artigo vamos atualizar a evolução do nosso investimento na RAIZE e deixar alguns alertas que deverá considerar.

Evolução dos meus créditos

O investimento em créditos através da RAIZE tem sido mais difícil. De facto, desde que a empresa fez a sua oferta pública de aquisição (que aqui criticámos) que tem sido mais difícil investir. O montante médio de empréstimos foi reduzido, talvez fruto da maior procura por parte dos investidores. Por esse e outros motivos que já referiremos temos vindo a reduzir o nosso envolvimento com esta plataforma.

Temos atualmente 260 créditos em curso com uma taxa de juro média de 7.2%. A percentagem de incumprimentos aumentou para 3.3% e temos 2 créditos em recuperação.

Analisando as taxas de retorno

A taxa de retorno que é publicitada pela plataforma e que referimos no parágrafo é uma taxa média dos empréstimos em curso. Quer isto dizer que não considera:

  • Créditos em atraso;
  • Créditos em recuperação;
  • Dinheiro disponível ou cativo para investimento.

É aqui que temos um problema. Se uma taxa de 7.2% pode parecer uma boa taxa de retorno (nos dias que correm não é má, vista de forma imediata e sem grande pensamento), se considerarmos os montantes em atraso, em recuperação e disponíveis, esta taxa baixa bastante. Assim, considerando que temos 3.3% da carteira em atraso (que com grande probabilidade uma parte será recuperada) e os montantes que serão perdidos com grande probabilidade (1.2%), a nossa taxa média passa de 7.3% para 2.7%.

Será esta uma boa taxa de retorno face ao risco?

Bem… uma taxa de 2.2% bruta é uma péssima taxa. É certo que poderá subir um pouco se a RAIZE conseguir recuperar o montante que está em atraso (tem mostrado que é possível, pois muitos dos créditos que já tive em atraso voltaram a estar em dia). Mas claramente que esta é uma taxa miserável face ao risco que estamos a correr. E é também uma taxa que compara muito mal com os investimentos alternativos que temos vindo a referir, como sendo a Mintos ou a Twino.

O que fazer?

Vou começar a vender os meus empréstimos nesta plataforma. Não só senti uma deterioração da relação risco / retorno (nunca tive um nível de incumprimento tão elevado) como também me parece que existem melhores alternativas noutro lado. Talvez tenha sido um problema de perceção mas claramente que deixei de gostar desta plataforma. Vou manter alguns investimentos em carteira e aguardar pela recuperação dos créditos em atraso. Continuo a achar que existe um racional positivo para plataformas como esta mas…

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João Morais Barbosa
Iniciou a sua carreira no setor financeiro onde desempenhou funções de analista de ações e gestor de fundos de investimento. Especialização em mercados e ativos financeiros no ISCTE e uma pós-graduação em Análise Financeira no ISEG, curso que lhe conferiu o Certificado Europeu de Analista Financeiro. Fundou a Escola de Finanças Pessoais – sendo co-autor de seis livros nesta temática (Manual das Finanças Pessoais, Manual da Poupança, Como Acabar com as Dívidas Pessoais e Familiares, O meu primeiro livro de Finanças Pessoais e Como ensinar o meu filho a poupar, Viva uma Reforma Feliz). Através da Escola de Finanças Pessoais já formou mais de 5.000 colaboradores de empresas nacionais e internacionais. Tendo sido Diretor-Comercial na DignusCapital, decide criar o seu projeto próprio na área da renegociação e intermediação de crédito, fundando a Reorganiza, empresa onde trabalha atualmente.

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