A minha carteira de empréstimos Raize

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Nos últimos meses tenho feito a atualização da minha carteira de investimentos na Raize, a única plataforma de empréstimo per-to-per para empresas em Portugal. Neste artigo irei atualizar o desempenho da carteira e deixar algumas notas que considero importantes.

Estado atual da carteira

A minha carteira é atualmente composta por 153 empréstimos, com um valor médio por empréstimo de €28 e uma taxa média de 7.3%. Tenho quatro empréstimos em atraso que fazem um total de sensivelmente 2% da carteira. Já tive menos incumprimentos e já tive mais. Chateia-me que um dos empréstimos incumpriu ao final de 1 mês e a classificação de risco até é boa (B+). Não percebo o que se passa. Aliás, a ausência de informações de empresas em incumprimento é algo que para mim não faz muito sentido, especialmente se falamos de empréstimos a empresas. Devíamos ser mais informados.

Evolução dos investimentos

Como quem investe na Raize, precisamos de ter ativado o tracker. Se não ativarmos esta funcionalidade temos a certeza de que não vamos conseguir ter empréstimos na nossa carteira. Isto porque há muitos investidores e o número de empresas a querer pedir dinheiro emprestado nesta plataforma é reduzido. Algumas ideias sobre isto:

  • Acabamos por comprar empréstimos sem analisar a empresa e os seus rácios.
  • Precisamos de confiar na capacidade de análise da Raize, mas temos de estar conscientes de que o modelo de negócio desta empresa é ganhar uma comissão por cada empréstimo. Logo, existe aqui um potencial conflito de interesses, especialmente numa altura em que a empresa deseja vir para a bolsa.
  • Temos de ter também consciente o motivo pelo qual as empresas procuram empréstimos por esta via, sendo que pagam uma taxa de juro superior ao praticado na banca. Falamos aqui da rapidez mas também de critérios de análise que podem ser distintos.

Evolução da minha taxa de retorno

A taxa de retorno na minha última análise era de 7.2% e aumentou ligeiramente pois vendi alguns empréstimos com taxas de juro mais baixas. Caso contrário, estava no mesmo nível que mesmo assim é razoável. Mas também tenho consciência de que há risco. Ou seja, se considerar os empréstimos em atraso a taxa baixa um pouco e se os incumprimentos aumentarem creio que vai ser difícil justificar a relação risco/retorno.

Uma nota que considero também importante prende-se com o atual estado do mercado. Ou seja, numa situação económica como a atual estes empréstimos e esta taxa podem ser interessantes. No entanto, parece-me que quando a economia “der a volta”, as taxas de incumprimento deverão aumentar e com isso o meu retorno vai “para o cano”. Adicionalmente, quando a banca fechar a torneira temo que as empresas que recorrem a estas plataformsa sejam menos interessantes (e duvido que muitas empresas sobrevivam com taxas de juro de 10%). Assim, não me parece que vá aumentar o envolvimento, pelo menos até ter mais visibilidade sobre esta plataforma. Tenho preferido investir na TWINO – veja aqui a minha estratégia de investimento com a TWINO.

Uma nota sobre as referências

Tenho colocado neste artigo o nosso link de afiliado. Ser afiliado significa que quem investe na Raize com o nosso código acaba por gerar uma comissão para a nossa conta de investidores. Podia não o fazer, na medida em que a comissão é residual. Mas deixo esta nota por uma questão de transparência e para que saiba que não apresento estas ideias de investimento por uma questão de comissão. Aliás, sigo também o portal Mais-Valias que recomenda a Raize há 2 anos e que em 118 referências recebeu €112 de comissão. Enfim…

Uma última nota sobre o serviço a cliente

Há dias abri conta na Raize para um amigo e tive a necessidade de contactar a linha telefónica da Raize pois o pagamento não havia sido creditado (por culpa minha, pois havia dado um email que não coincidia com o email do comprovativo). Infelizmente apenas fui atendido por uma chamada automática e a única alternativa era o envio de um email. Creio que agora falta apenas a fiabilização do investidor.

Declaração de intenções

É importante deixar claro que gosto da RAIZE e que estou contente com o meu investimento nesta plataforma. O que aqui escrevo não é uma recomendação de investimento e o que aqui refiro diz apenas respeito ao meu caso concreto. Este investimento envolve risco e pode perder todo o seu dinheiro, pelo que deve fazer uma análise cuidada.

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João Morais Barbosa
Iniciou a sua carreira no setor financeiro onde desempenhou funções de analista de ações e gestor de fundos de investimento. Especialização em mercados e ativos financeiros no ISCTE e uma pós-graduação em Análise Financeira no ISEG, curso que lhe conferiu o Certificado Europeu de Analista Financeiro. Fundou a Escola de Finanças Pessoais – sendo co-autor de seis livros nesta temática (Manual das Finanças Pessoais, Manual da Poupança, Como Acabar com as Dívidas Pessoais e Familiares, O meu primeiro livro de Finanças Pessoais e Como ensinar o meu filho a poupar, Viva uma Reforma Feliz). Através da Escola de Finanças Pessoais já formou mais de 5.000 colaboradores de empresas nacionais e internacionais. Tendo sido Diretor-Comercial na DignusCapital, decide criar o seu projeto próprio na área da renegociação e intermediação de crédito, fundando a Reorganiza, empresa onde trabalha atualmente.

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