Como ganhei 9% com uma Fintech?

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TWINO

Recentemente comecei a publicar a minha estratégia de investimento com alguns ativos. Comecei por falar do meu primeiro investimento imobiliário, dos meus investimentos com a Raize (empréstimos a empresas) e agora vou iniciar a minha descrição dos meus investimentos com a TWINO (empréstimos a particulares). Nunca é de mais referir que estas são as minhas estratégias e não são recomendações.

Quem é a TWINO?

A TWINO é uma Fintech (uma empresa que presta serviços financeiros com recurso a novas plataformas digitais). É uma empresa que intermedeia empréstimos de investidores (como eu) a particulares e que está presente numa série de países. O país de origem é a Letónia, um dos países que está a apostar mais em força nas Fintechs. A empresa foi criada em 2009 mas desde aí tem crescido e evoluído para outros países:

  • 2011 – Polónia;
  • 2013 – Rússia;
  • 2014 – Geórgia;
  • 2015 – Dinamarca;
  • 2016 – Espanha e Cazaquistão.

Qual o modelo de negócio

A Twino dedica-se a fazer avaliação do risco de empréstimos a particulares e disponibiliza estes empréstimos numa espécie de mercado (que não é regulado). Assim, dá a possibilidade a investidores privados de comprar pequenas parcelas de empréstimos a particulares em diversos países. Cada investidor pode escolher o empréstimo para comprar, nomeadamente saber características da pessoa, os seus rendimentos, o nível de risco, a taxa de juro e o país.

A Twino ganha dinheiro através da diferença do juro que cobra ao cliente e aquele a que nós os investidores estamos dispostos a financiar. Por exemplo, eu posso comprar um empréstimo à taxa de 10% e se a Twino cobrar 15% ao cliente, irá ganhar esta diferença de 5% para compensar por todo o trabalho, pelo sistema informático e pelos seguros que contrata (mais sobre isto de seguida).

Outras ideias de investimento? Veja as plataformas, ViaInvest e Mintos onde pode obter retornos entre 8% e 12%

Qual o risco de investir através desta plataforma

Qualquer empréstimo tem o risco da pessoa a quem emprestamos o dinheiro não nos devolver este dinheiro e os juros que cobramos. É o risco do incumprimento que é menor ou maior dependendo das características da pessoa. Ao investirmos nestes empréstimos estamos a transformar-nos numa instituição financeira de crédito e a ser remunerados por isso, com taxas de juro que podem superar os 10% ao ano.

Tendo falado do risco, é importante referir algo que mitiga significativamente o risco. Os seguros e as garantias que a Twino nos dá, enquanto investidores. Há empréstimos com diferentes tipos de garantias, mas os dois principais são:

  • PG – Nos empréstimos com este símbolo, que significa Payment Garantee, a Twino compromete-se a substituir-se ao cliente em caso de incumprimento. Ou seja, se a pessoa a quem emprestamos o dinheiro deixar de pagar, a Twino irá pagar-nos o capital e os juros no prazo estipulado inicialmente no contrato. Assim, o nosso risco é o risco de incumprimento do cliente e o risco de incumprimento por parte da Twino (temos uma garantia maior).
  • T – Nos empréstimos com este simbolo, que representa um Buyback guarantee, a Twino devolve o capital total em dívida e os juros vencidos em caso do empréstimo estar hà mais de 30 dias em incumprimento. Assim, o nosso risco é também o risco do cliente e o risco de incumprimento por parte da Twino.

Existem empréstimos sem garantias e com outros níveis de risco. Têm taxas de juro maiores mas o risco é consideravelmente maior pelo que não será recomendável à maioria dos investidores.

A minha estratégia de investimento na Twino

Como nos restantes investimentos, decidi-me por criar a conta e transferir um montante reduzido para testar o funcionamento. Passado 1 dia o dinheiro estava creditado e pude ter acesso ao painel de controlo e ao mercado de empréstimos disponíveis. Decidi por investir manualmente para ver o que estava disponível e fiz ofertas de valores muito baixos (inferiores a €10) para garantir que tinha mais de 20 a 30 empréstimos e com isso diversificar o meu investimento.

A taxa de juro média que tenho na minha carteira é de 10% e tenho tido uma boa experiência. Todos os dias recebo a evolução da carteira, com os pagamentos e recebimentos feitos. É também possível aceder a uma projeção das receitas e o painel de controlo dá-me as estatísticas necessárias para o controlo dos riscos, nomeadamente montantes por prazos, por nível de risco e por tipo de garantia oferecida.

Em termos de garantias da carteira, 80% tem PG e os restantes 20% têm T. Nenhum está sem garantia nem me parece que irei comprar esses créditos sem garantia.

Conclusões

Por enquanto não há grandes conclusões. Já reforcei o investimento há dias e consegui investir logo todo o dinheiro (não demorou tanto como na Raize), também porque o investimento atual ainda é residual face ao investimento na Raize. No entanto, a experiência tem sido boa, o nível de retorno tem sido interessante e vou continuar a monitorar o investimento pois parece-me uma boa relação risco / retorno para mim.

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João Morais Barbosa
Iniciou a sua carreira no setor financeiro onde desempenhou funções de analista de ações e gestor de fundos de investimento. Especialização em mercados e ativos financeiros no ISCTE e uma pós-graduação em Análise Financeira no ISEG, curso que lhe conferiu o Certificado Europeu de Analista Financeiro. Fundou a Escola de Finanças Pessoais – sendo co-autor de seis livros nesta temática (Manual das Finanças Pessoais, Manual da Poupança, Como Acabar com as Dívidas Pessoais e Familiares, O meu primeiro livro de Finanças Pessoais e Como ensinar o meu filho a poupar, Viva uma Reforma Feliz). Através da Escola de Finanças Pessoais já formou mais de 5.000 colaboradores de empresas nacionais e internacionais. Tendo sido Diretor-Comercial na DignusCapital, decide criar o seu projeto próprio na área da renegociação e intermediação de crédito, fundando a Reorganiza, empresa onde trabalha atualmente.

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