Crédito Habitação – Escolher taxa fixa faz sentido?

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Crédito Habitação – Escolher taxa fixa faz sentido?

3 min Partilhar 16 de Junho, 2021

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Aprofundamos neste artigo algumas contas que poderá fazer para decidir se a taxa fixa faz sentido ou não. No artigo “Taxa fixa ou taxa variável no Crédito Habitação?” apresentámos os argumentos teóricos de cada uma das soluções. Hoje apresentamos-lhe as contas.

Recapitulando

Os contratos de crédito habitação a taxa fixa são mais populares noutras paragens na Europa e no Mundo. Em Portugal temos preferido as taxas variáveis, especialmente porque são taxas mais baixas (no curto prazo) o que implica em prestações mais baixas (também no curto prazo).

A escolha entre as modalidades de taxa fixa e taxa variável é uma escolha:

  • Financeira – Fundamentalmente a diferença entre taxas de juro e a sua evolução;
  • Emocional – Podemos gostar mais ou menos de ter dívidas o que pode condicionar a nossa opção por motivos não financeiros.

O que precisa para tomar a melhor decisão financeira?

Para tomar a melhor decisão tendo apenas por base a componente financeira, teremos de considerar algumas variáveis:

  1. Taxa Fixa Contratada – Fixamos a taxa no momento inicial, idealmente para a duração do contrato. Fuja das taxas mistas pois reúnem num mesmo contrato tudo o que existe de mau num contrato a taxa fixa e a taxa variável;
  2. Taxa Variável Contratada (spread e indexante);
  3. Evolução do Indexante – É aqui que fazemos futurologia pois é impossível prever a evolução da taxa EURIBOR. Falamos em conhecer a rapidez de convergência entre as duas taxas e o nível máximo que a taxa EURIBOR pode atingir.

Perceber o ponto de convergência

O ponto de convergência ou de indiferença entre as duas taxas de juro é fundamental para a sua tomada de decisão. É o ano em que a taxa de juro variável iguala a taxa de juro fixa. Por outras palavras, é o prazo a partir do qual começa a compensar termos optado pela taxa fixa. Quanto mais rápida for atingida a convergência mais interessante a opção pela taxa fixa.

De notar que a taxa fixa evita um risco que está subjacente à evolução das taxas. Na prática, a taxa de juro que pagamos num crédito não deverá baixar de 0%, ao passo que pode atingir valores muito elevados (o céu é o limite… teoricamente). Logo, ao contratar a taxa fixa evita taxas de juro muito elevadas.

Perceber como é calculada a prestação do seu crédito

Ao comparamos a taxa fixa com a taxa variável temos de considerar também a forma como é calculada a prestação do crédito (por que não experimentar a nossa calculadora de crédito). Como sabemos, a prestação é a soma de:

  • Amortização de Capital;
  • Pagamento de Juros, que por sua vez depende de Taxa de juro e Montante em dívida.

Como relacionar a prestação ao longo da vida?

Como estamos a perceber, temos dois perfis distintos ao contratar créditos com ambas as taxas:

  • Taxa Variável – Pagamos uma taxa mais baixa no início do contrato e tendencialmente iremos pagar uma taxa maior quando o montante em dívida vai baixando (na segunda metade do contrato). A componente de capital na prestação será também maior no início, levando a uma amortização mais rápida do capital em dívida (até certa altura).
  • Taxa fixa – Pagamos uma taxa de juro mais elevada (do que a taxa variável) quando o montante em dívida é maior. Já percebemos que… pagaremos mais juros!

Exemplo – Crédito de €250.000 a 30 anos

Crédito Habitação

Naturalmente que estas diferenças são mais sentidas quanto maior for o capital inicial do contrato, embora percentualmente a conclusão seja idêntica.

Não esquecer ainda

Ao contratar um crédito habitação tem de suportar ainda o pagamento do seguro de vida crédito. Como temos um perfil de redução do capital em dívida mais baixo na taxa fixa, tenderemos a pagar mais no prémio de seguro de vida (apesar da diferença não ser assim tão expressiva);

As comparações que são feitas ignoram o que faríamos ao diferencial a nosso favor entre taxa variável e taxa fixa na primeira metade do contrato, bem como o valor temporal do dinheiro. Ou seja, €1.000 poupados hoje valem muito mais do que €1.000 dentro de 15 anos.

Conclusões

No momento atual em que as taxas EURIBOR estão tão baixas e em que os bancos estão em plena concorrência por captar os seus clientes (baixando spreads) a solução da taxa variável revela-se como muito vantajosa em termos financeiros. Não significa que seja a melhor para toda a gente, mas implica certamente que durante vários anos a opção por taxa variável implicará uma amortização mais rápida do capital em dívida e um menor pagamento de juros.

A parte complicada na decisão é perceber a evolução e a rapidez de crescimento da taxa de referência, mas a informação disponível atualmente aponta para a manutenção das taxas EURIBOR negativas durante vários anos. Se quiser esclarecer alguma dúvida não hesite e preencha o simulador de crédito habitação da Reorganiza para perceber as diferentes alternativas para o seu caso concreto.

 

 



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