Um dos temas mais populares nas formações de Finanças Pessoais da Reorganiza prende-se com a Educação Financeira das crianças. E as questões sobre se devemos ou não dar mesada são também muito interessantes. Neste artigo iremos alertar para as potencialidades, perigos e alternativas à mesada.
Para que serve a Mesada?
A mesada é uma ótima ferramenta para introduzir as crianças nas decisões/opções de consumo. Possibilita-lhes gerir o seu dinheiro, com autonomia e (alguma) independência. Permite que decidam o que consumir e quando consumir (por exemplo, pode ser uma ótima oportunidade para incentivar o seu filho a poupar dinheiro). Assim, a mesada ou semanada assume-se como um instrumento ao dispor dos pais para melhorar a educação financeira dos seus filhos.
Para que não serve a Mesada?
Sendo uma boa ferramenta de educação financeira, a mesada não deve ser utilizada com um propósito distinto. Por exemplo, não devemos utilizar a mesada como uma arma de arremesso/chantagem. Adicionalmente, não devemos utilizar a mesada para remunerar algum trabalho que é obrigação de cada um dos membros da família. Ou seja, não faz muito sentido que se utilize a mesada para remunerar os filhos por porem a mesa ou arrumarem o quarto. Também não faz muito sentido fazer depender o valor da mesada das notas que os filhos têm na escola.
A Mesada não é um Salário!
Utilize a mesada para permitir ao seu Filho viver o dia-a-dia com restrição mas de forma despreocupada, atribuindo ao dinheiro a importância e o valor que tem de facto, sempre consciente que o dinheiro atribui alguma liberdade a quem dele dispõe. Logo, ao conferir uma mesada pode estar a conferir alguma liberdade ao seu Filho. E a liberdade vem SEMPRE de mãos dadas com a responsabilidade.
A Mesada Não é um Direito
Os filhos podem ser cruéis e podem tentar pressionar os seus pais a dar-lhes uma mesada. É natural que o façam. No entanto, é também necessário que todos saibam que a mesada não é um direito dos filhos. São os pais que têm a opção de dar dinheiro aos seus filhos. Nunca leve o seu filho a pensar que tem direito ao dinheiro, simplesmente porque existe. O dinheiro custa a ganhar e os pedidos de consumo que as crianças fazem podem sair caros… e levar a grandes sacrifícios para os seus pais os poderem suportar (pelo menos aqueles que cedem às chantagens dos seus filhos).
E se Não Quiser Dar Mesada?
Como todas as posturas pedagógicas, os pais têm total liberdade para definir os valores e o caminho para os reforçar. Deste modo, pode acontecer que a sua forma de ver a vida e a educação financeira não passe por atribuir uma mesada. Assim sendo, tenha em atenção que poderá fazer sentido ir dando algumas dotações à medida das necessidades e pedidos do seu Filho. Estes pedidos deverão ser justificados e vividos com naturalidade. Aproveite estes momentos para falar sobre a importância do dinheiro, do trabalho… como momentos de partilha e de educação. Nunca se esqueça que as estratégias para poupar dinheiro devem ser apreendidas desde pequenos.
Regras para se optar por dar mesada
- A mesada pode ser um ótimo instrumento de educação financeira, desde que respeite algumas regras simples:
- Ser um valor escasso, que obrigue a criança a tomar opções;
- Ser um valor fixo e que não seja complementado por pedidos adicionais quando o valor inicial for gasto;
- Não ser considerado um direito;
- Considerar a obrigatoriedade de poupar parte desse valor.
Como pais não nos devemos sentir obrigados a dar uma mesada. Podemos antes usar a mesada para educar os nossos filhos, para os ajudar a perceber para que serve o dinheiro e o que custa conquistar. Mas devemos resistir à tentação de ceder a todas as exigências dos nossos filhos mesmo que possamos dar mais. Nunca esquecer que o critério deve ser “qual o bem” e nunca “qual o mal”, porque educamos os miúdos para o bem. Para serem melhores. E temos essa obrigação grave que não devemos repudiar. Porque os educadores somos nós! Se quiser aprofundar o tema da educação financeira, sugerimos que descarregue gratuitamente o livro Como Ensinar o Meu Filho a Poupar.