Como Falar ao meu Filho sobre Dinheiro

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Como Falar ao meu Filho sobre Dinheiro

5 min Partilhar 24 de Abril, 2015

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O seu filho gosta de dinheiro. Todas as pessoas gostam de dinheiro. Umas mais outras menos. A forma como o seu filho olha e valoriza o dinheiro depende em muito do exemplo e da educação que recebe dos seus pais. Neste artigo iremos abordar algumas dicas de educação financeira para que tenha maior confiança na educação do seu filho.

Os Pais Sabem (quase) Sempre o que é Melhor Para os Seus Filhos

Todos os pais sabem o que é melhor para os seus filhos. Preocupam-se e estudam para poder serem melhores pais e melhores educadores. Aliás, se assim não fosse provavelmente não estaria a ler este artigo…

Infelizmente, nos últimos anos alguns pais foram delegando cada vez mais a educação dos seus filhos nas escolas e noutros educadores. Os motivos são diversos, como uma maior necessidade de dedicação profissional, sentimento de incapacidade, desconhecimento ou mesmo um desinteresse prático que convém combater. Não é que estes agentes não sejam úteis na educação das crianças mas são um agente acessório.

A nossa primeira sugestão consiste em procurar falar sobre estes temas com os seus familiares e amigos e por que não procurar por boa literatura sobre o tema da educação em geral e da educação financeira em particular (em breve a Reorganiza irá editar o seu próximo livro dedicado especificamente a este assunto). É certo que todos sabemos o que queremos para os nossos filhos mas também é certo que há sempre espaço para melhorarmos as nossas competências e aprender.

Cuide da Sua Imagem

Não falamos aqui da sua imagem visual mas antes nos seus comportamentos e na forma como o seu filho perceciona a sua atuação. Os filhos são autênticas esponjas. Aprendem tudo e estão atentos a tudo, mesmo que pareçam distraídos nos seus jogos. Eu tenho 3 filhos e já me deparei com inúmeros exemplos disto, para o bem e para o mal.

A educação é fortalecida pelo exemplo. Um bom exemplo é meio caminho andado para a passagem da informação e para a indução de comportamentos. Aliás, diversos estudos académicos demonstram que a influência e o exemplo dos pais é o fator mais importante para uma boa apreensão de comportamentos.

Costuma-se dizer que pais consumistas criam filhos consumistas. Não sendo verdade em todos os casos deixa no entanto a reflexão…

Faça o seu Filho Experimentar

Muitos dos conhecimentos financeiros são passados às crianças por intermédio da experiência. Quando confrontados com as situações são chamados a resolver os problemas e fazem-no quer por tentativa-erro quer com recurso ao aconselhamento parental. Assim, é de todo recomendável que os exponha a realidades financeiras, como sendo:

  • Visita ao supermercado, procurando envolver os seus filhos na escolha dos produtos mais baratos ou na elaboração da lista de compras.
  • Utilização do mealheiro, ótima oportunidade para lhes falar sobre dinheiro, sobre as várias notas e moedas e sobre a necessidade de acumular algum dinheiro para a realização dos seus desejos e necessidades. A minha filha mais velha desde os 2 anos que liga ao mealheiro…
  • Abertura de contas poupança, um passo posterior à utilização do mealheiro, que permite transmitir a necessidade da poupança e as vantagens de investir o dinheiro com recurso a instrumentos que trazem uma remuneração.

Muito Diálogo

Nos tempos que correm já não existe grande abertura para as respostas do “porque sim” ou “porque não”. Já habituei os meus filhos a rejeitar essas respostas, especialmente quando são eles que respondem assim aos pais. Apesar de desafiante esta educação tem-nos forçado a adaptar-nos e a explicar melhor as nossas decisões e opções. Se digo “porque sim” oiço logo uma resposta “porque sim não é resposta”.

Envolva o seu Filho nas Decisões

As regras funcionam melhor e têm mais aderência por parte dos filhos se os envolvemos na sua definição. Não quer com isto dizer que temos de ceder ou mesmo que aceitar as suas sugestões. No entanto, ao mostrar que está realmente preocupado com a opinião do seu filho estará a dar-lhe o sentimento de que é valorizado e que a sua opinião conta. Mas atenção: deve estar realmente preocupado e não apenas fingir.

Faça-os Lutar Pelos seus Objetivos

Todos os pais gostam de ver os seus filhos felizes. No entanto, alguns confundem felicidade com prazer ou com satisfação momentânea. A diferença destes dois conceitos não é pequena. A satisfação dos prazeres de forma momentânea é o que leva muitos pais a comprar demasiados presentes aos seus filhos e muitas vezes sem grande critério.

Por exemplo, pais que compra as últimas tecnologias da moda para compensar por estarem pouco em casa. Ou pais que dão os telemóveis ou os tablets aos seus filhos pequenos para que estejam entretidos mas esquecendo-se que muitas vezes estas tecnologias para além de serem caras irão isolar as crianças (tantas vezes vejo jantares em restaurantes em que os pais e os filhos passam a refeição agarradas a estes gadgets, esquecendo-se de falar uns com os outros).

Outro exemplo que também não deixa de ser caricato. Estive a dar formações a um grupo de pessoas de uma empresa em que recebem pouco mais de €600 líquidos. E um dos pais disse ter comprado o último iPhone ao seu filho de 7 anos para levar para a escola. E comprou a crédito. Aconteceu infelizmente que o miúdo foi roubado. Ficou sem o telemóvel e o pai continuou a pagar algo que estava claramente fora do seu orçamento… porque o seu filho queria muito (?).

Devemos levar os nossos filhos a lutar pelo que querem. Se querem um telemóvel têm de poupar para isso. Se querem uns ténis da moda, mais caros do que aquilo que é justificável, podemos optar por comprar com as suas poupanças (ou mesmo proibi-los por ser algo que de facto não é bom para eles).

Qual é o Bem?

Uma última ideia que se destina a mudar um pouco a forma como pensamos nas coisas e no dinheiro. Muitas vezes quando confrontados com uma decisão ou com um acontecimento as pessoas perguntam “qual é o mal?”. E se ao invés dessa pergunta fizermos outra, oposta, “qual é o bem?”. As coisas podem não fazer mal mas podem também não fazer bem. E quando não fazem bem acabam por fazer mal, a prazo. Alguns exemplos:

  • Não tem mal, só por si, uma criança ter um tablet. O que acaba por ser mau é o tempo que esta perde, a falta de convívio e a opção de jogar ao invés de fazer algo mais educativo.
  • Não tem mal, só por si, uma criança ter os ténis da moda. O que acaba por poder ser mau é o exemplo que damos de que a vida não custa a ganhar e que é mais importante a marca e a imagem do que a funcionalidade. E nunca esquecer que se compramos algo estamos a dar o nosso tempo em troca dessa coisa.
  • Não tem mal a criança ter uma televisão no quarto. O que é mau é que a criança acaba por se isolar e perder o contacto com os pais. É certo que nos irá chatear menos mas qualquer dia não conhecemos o nosso filho.

Acredito que não existem muitas coisas que sejam boas ou más à partida. O que acaba por qualificar as coisas é o uso e a importância que lhes damos. Infelizmente, acabámos por dar demasiada importância a coisas que de facto não valem nada… e chegámos à crise atual que mais não é, na minha opinião, do que uma crise de valores e uma crise de educação, que está radicada na desvalorização da família, do papel dos país e das pessoas em si mesmas.



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