Ter uma dívida no cartão de crédito pode tornar-se difícil de gerir quando os juros se acumulam e o pagamento mensal não é suficiente para reduzir significativamente o valor em dívida. No entanto, quanto mais cedo identificar o problema e definir uma estratégia, maiores são as possibilidades de evitar que a situação se agrave.
Conheça os principais passos para perceber quanto deve, negociar com o credor e criar um plano para pagar a dívida e recuperar o equilíbrio financeiro.
O que fazer quando tem dívidas no cartão de crédito?
O primeiro passo é perceber exatamente qual é a sua situação financeira. Consulte o extrato do cartão e identifique o montante total em dívida, o valor que está em atraso, a taxa de juro aplicável e o pagamento mínimo mensal.
É também importante perceber quanto está efetivamente a pagar em juros. Nos cartões de crédito, o pagamento parcial do saldo utilizado implica, por norma, o pagamento de juros sobre o montante que não foi reembolsado. Quanto menor for o valor pago mensalmente, maior tende a ser o período necessário para liquidar a dívida e o custo total do crédito.
Se já não consegue pagar o valor acordado, não adie o contacto com a instituição financeira. O incumprimento pode resultar na cobrança de juros de mora e outros encargos, além de ser comunicado à Central de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal. Por isso, comece por:
- Confirmar o valor total em dívida;
- Verificar a taxa de juro e os restantes encargos;
- Identificar eventuais pagamentos em atraso;
- Interromper, se possível, novas utilizações do cartão;
- Avaliar quanto consegue pagar mensalmente;
- Contactar o banco ou entidade financeira para procurar uma solução.
Como funciona a dívida de cartão de crédito e o que pode acontecer se não pagar?
Quando utiliza um cartão de crédito, o valor utilizado constitui uma dívida que deve ser reembolsada de acordo com as condições previstas no contrato. Se optar por pagar apenas uma parte do valor em dívida, os juros incidem sobre o montante que fica por pagar, aumentando o custo do crédito.
O não pagamento atempado pode ter várias consequências para o cliente bancário e para o seu agregado familiar:
- A dívida pode aumentar: ao valor em dívida podem acrescer juros de mora, comissões e outros encargos previstos na lei e no contrato.
- O incumprimento é comunicado: a situação de incumprimento é comunicada à Central de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal e será considerada na avaliação do risco de crédito do cliente.
- Pode avançar para cobrança judicial: se a situação não for regularizada, a instituição de crédito pode iniciar uma ação judicial para recuperar o valor em dívida. Este processo pode conduzir à penhora de rendimentos e, em determinadas situações, à venda de bens do cliente.
Por isso, perante dificuldades em cumprir os pagamentos, é importante agir rapidamente e contactar a instituição de crédito. Quando existe incumprimento, o banco deve contactar o cliente para procurar soluções de pagamento que permitam regularizar a situação por via extrajudicial.
A dívida de cartão de crédito caduca – quando isso acontece?
De acordo com o artigo 309.º do Código Civil, o prazo ordinário de prescrição é de 20 anos, aplicando-se este prazo quando a lei não estabelecer um prazo diferente para determinada obrigação.
Este prazo pode ser aplicado, por exemplo, às dívidas de cartão de crédito. No entanto, é importante ter em conta que a prescrição pode estar sujeita a regras específicas, nomeadamente quanto ao momento a partir do qual começa a contar e a eventuais causas de interrupção ou suspensão.
Por isso, não deve assumir-se que uma dívida deixa de poder ser cobrada automaticamente após determinado número de anos. Se tiver uma dívida antiga e quiser perceber se existe fundamento para invocar a prescrição, é importante analisar a situação concreta e, se necessário, procurar aconselhamento jurídico.
Como negociar a dívida do cartão de crédito?
Existem várias formas de lidar com uma dívida de cartão de crédito, dependendo da situação financeira e da capacidade de pagamento. Entre as opções estão a negociação com o banco, a amortização da dívida, a consolidação de créditos ou a substituição do cartão por um crédito pessoal.
● Negociar com o banco
O primeiro passo é contactar a instituição financeira e explicar a sua situação. Pode negociar um plano de pagamentos com prestações fixas e, dependendo do caso, procurar melhores condições para a dívida, como uma taxa de juro mais baixa. Em algumas situações, pode também ser possível estabelecer um período de carência.
● Amortizar: usar poupanças para reduzir os juros
Se tiver poupanças disponíveis, pode considerar utilizá-las para amortizar parte ou a totalidade da dívida. Ao reduzir o montante em dívida, diminui também o valor sobre o qual são calculados os juros. No entanto, é importante não comprometer toda a sua liquidez e manter uma reserva para fazer face a despesas inesperadas.
● Consolidar créditos: transformar várias dívidas numa só
Se tiver várias dívidas, incluindo um cartão de crédito, pode analisar a possibilidade de consolidar os créditos. Esta solução junta diferentes dívidas num único contrato, com uma só prestação mensal, o que pode facilitar a gestão do orçamento. No entanto, uma prestação mais baixa não significa necessariamente que o crédito fique mais barato, pelo que deve comparar o prazo, a taxa de juro e o custo total.
● Substituir o cartão por um crédito pessoal
Outra possibilidade é substituir a dívida do cartão de crédito por um crédito pessoal com condições mais favoráveis. Esta solução pode permitir beneficiar de uma taxa de juro mais baixa e de um plano de pagamentos definido, facilitando a gestão da dívida. Antes de avançar, compare diferentes propostas e tenha em conta a TAEG, as comissões, o prazo e o custo total do crédito.
Como pagar a dívida do cartão de crédito e sair do endividamento
Depois de perceber o valor em dívida, é importante criar um plano realista. O objetivo deve ser reduzir o saldo em dívida todos os meses, evitando simultaneamente criar novas dívidas. Algumas estratégias podem ajudar:
- Pare de aumentar a dívida: enquanto estiver a pagar o saldo em dívida, evite utilizar o cartão para novas despesas, sempre que possível.
- Defina um valor mensal para o pagamento: analise o seu orçamento e estabeleça um montante que consiga pagar todos os meses sem comprometer despesas essenciais.
- Pague mais do que o mínimo, quando possível: o pagamento mínimo pode prolongar significativamente o período necessário para liquidar a dívida e aumentar o custo total dos juros.
- Priorize as dívidas mais caras: se tiver vários créditos, compare as respetivas taxas de juro e encargos. Pode fazer sentido canalizar uma maior parte do dinheiro disponível para a dívida com maior custo, mantendo os pagamentos mínimos das restantes.
- Reveja o orçamento mensal: durante alguns meses, reduza despesas não essenciais e canalize a poupança para a amortização da dívida.
- Não aceite um novo crédito sem comparar custos: consolidar ou transferir uma dívida pode reduzir a prestação mensal, mas isso não significa necessariamente que o crédito fique mais barato. Compare sempre a TAEG, o prazo e o custo total.
Perguntas frequentes (FAQS)
- A dívida de cartão de crédito prescreve após quanto tempo?
O prazo ordinário de prescrição é de 20 anos, de acordo com o artigo 309.º do Código Civil, podendo aplicar-se às dívidas de cartão de crédito. No entanto, existem situações com prazos diferentes e a contagem do prazo pode ser afetada por determinados atos. - O que acontece se eu não pagar a dívida do cartão de crédito?
O incumprimento pode levar ao pagamento de juros de mora, comissões e outros encargos, aumentando o valor em dívida. A situação pode também ser comunicada à Central de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal. Se a dívida não for regularizada, a instituição de crédito pode avançar para uma ação judicial, que poderá conduzir à penhora de rendimentos ou bens. - Como posso negociar a minha dívida de cartão de crédito?
Deve contactar a instituição financeira e explicar a sua situação, procurando uma solução adequada à sua capacidade de pagamento. Pode ser possível negociar um plano de pagamentos com prestações fixas ou alterar algumas condições do crédito. Se já estiver em incumprimento, pode também informar-se sobre o PERSI, que permite procurar uma solução para regularizar a dívida por via extrajudicial.
