Horizonte Temporal de Investimento e Liquidez

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No âmbito do tema de classificação de investimentos, temos procurado aprofundar alguns conhecimentos nas três variáveis que consideramos fundamentais para a classificação de qualquer investimento.

Falámos de Retorno esperado, onde referimos a existência de um ativo sem risco e de um prémio de risco. Falámos de Risco, tendo falado do risco específico e do risco de mercado. E agora iremos falar de Liquidez, temática intimamente ligada com o Horizonte temporal de Investimento.

O que é a Liquidez

Em poucas palavras e repetindo o que já referimos anteriormente, a Liquidez é a possibilidade ou facilidade em transformar qualquer ativo em dinheiro. Ou seja, em vender um ativo, por um preço justo (identificado como preço de mercado, no caso de um mercado eficiente), de forma rápida.

Como Enquadrar a Liquidez com o Horizonte Temporal de Investimento

Na realidade, estes dois temas apresentam-se como algo complementares, na medida em que, dependendo do prazo em que pretendemos desmobilizar um investimento, podemos investir em ativos mais ou menos líquidos. Por exemplo, se pretendemos um investimento para o curto prazo, digamos 1 ano, não faz sentido comprarmos uma casa. Se pretendemos um investimento para 10 anos, se calhar o recurso apenas a depósitos a prazo não faz muito sentido.

O Horizonte Temporal de Investimento

Certamente se recorda que, quando visita um balcão em busca de informações sobre investimentos, lhe são referidos alguns prazos aconselháveis para um investimento:

  • Obrigações de Governos – 1-2 anos de Investimento;
  • Ações – Mínimo 3 anos.

É óbvio que podemos obter bons retornos não respeitando estes prazos. Contudo, é aconselhável manter os investimentos pelo máximo tempo possível, na medida em que quanto maior o tempo, maior a probabilidade de obter retornos razoáveis.

Não confundir, porém, com risco incorrido. Ou seja, quanto maior o tempo de um investimento, maior o risco, e não o contrário.

Por que lhe Recomendam estes Prazos?

Se se recorda no nosso artigo sobre risco, risco não é algo mau à partida. Risco é incerteza. Aplicando a este caso, quanto maior o horizonte, maior a incerteza, mas também maior a probabilidade do retorno vir para o seu lado.

Deste modo, terá uma maior probabilidade de atingir os seus objectivos de retorno, o que lhe confere alguma segurança adicional.

E o Horizonte Temporal na Gestão de Ativos?

Apesar de lhe recomendarem aqueles prazos, os gestores de fundos têm prazos muito distintos. Ou seja, o prazo que interessa para um gestor é o dia 31 de Dezembro. Nunca nos esqueçamos que o trabalho de um gestor está sempre em risco. Tem de apresentar bons retornos e, se possível, ser melhor que a concorrência.

O que quer isto dizer?

Quer dizer que se perto do final do ano o gestor estiver longe de cumprir os seus objectivos, irá fazer tudo para o conseguir, o que resulta numa tomada de risco excessiva e algo irresponsável. Contudo, se já tiver atingido os seus objectivos, será provável que reduza o risco que incorre, de modo a não estragar o ano e, consequentemente, o seu prémio de desempenho.

O que fazer?

Quando estiver a analisar um fundo de investimento, olhe sempre para a performance do fundo relativamente ao seu benchmark (índice de referência com o qual se compara). Assim, e de acordo com o que foi dito anteriormente, poderá balizar melhor os riscos que o fundo tenderá a correr.

Para o futuro, iremos apresentar algumas medidas de avaliação do desempenho dos gestores. Comentários ou sugestões são muito bem vindos.

 

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