Vale a Pena Amortizar o Crédito Habitação?

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Num contexto em que as taxas de juro dos produtos de aforro têm sofrido quedas expressivas e já não proporcionam retornos dignos desse nome, começamos a ser contactados por leitores perguntando se valerá ou não a pena amortizar os seus créditos, especialmente o crédito habitação.

Neste artigo iremos dar-lhe alguns argumentos e apresentar uma ferramenta que lhe permita fazer as suas contas para tomar uma decisão mais informada.

Tem Liquidez Disponível?

A primeira pergunta que tem de se colocar é se tem a liquidez disponível para amortizar o seu crédito. Neste caso, não falamos de eventuais poupanças de baixo valor que possam existir pois é fundamental não esquecer que antes de amortizar o seu crédito tem de possuir um fundo de emergência para acautelar eventualidades no futuro.

Se tem o seu orçamento familiar controlado, se já tem um fundo de emergência estabelecido então poderá fazer sentido passar para as próximas perguntas. Se não tem, sugerimos que veja como equilibrar o seu orçamento familiar para se libertar espaço para a poupança.

Qual o Retorno das Aplicações Sem Risco Atualmente?

Em Portugal, as taxas de retorno dos produtos sem risco (por exemplo, as taxas dos melhores depósitos a prazo ou dos certificados de aforro) não são superiores a 1%. Não falamos aqui das estratégias de marketing de alguns bancos que promovem as suas contas bancárias oferecendo taxas promocionais perto de 3% mas que duram apenas durante 3 meses.

Ao falarmos de produtos de aforro sem risco falamos apenas dos depósitos a prazo, dos certificados de aforro e dos certificados de tesouro poupança mais – estes últimos vendidos nos CTT e que acabam por ser bem mais interessantes do que os depósitos a prazo da banca tradicional.

Qual a Taxa de Juro dos Meus Créditos?

A terceira pergunta consiste na identificação de todos os seus créditos e das taxas de juro que suporta em cada um deles. Para uma melhor identificação dos créditos do seu agregado familiar sugerimos que consulte o seu mapa de responsabilidades de crédito e o do seu cônjuge – precisa apenas do seu número de identificação fiscal e da senha de acesso ao portal das finanças.

Depois de identificados os seus créditos deverá ver no seu homebanking ou nos seus extratos bancários quais as taxas de juro que paga em cada um dos créditos e eventuais comissões de amortização antecipada. Poderá enviar-nos o seu mapa de responsabilidades para obter uma opinião sobre os caminhos a seguir para baixar as suas prestações.

Como Escolher?

Depois de recolhida a informação deverá utilizar o nosso simulador de amortização de créditos e perceber qual a alternativa que é mais vantajosa, nunca esquecendo:

  • A poupança paga impostos e a redução das dívidas não;
  • A redução das dívidas deve ser visto como um investimento de longo prazo com retorno imediato;
  • Se precisa de dinheiro no curto prazo pode não fazer sentido amortizar dívidas com taxas de juro mais baixas;
  • Se não tem disciplina para poupar é mais vantajoso amortizar créditos mesmo que a taxa seja baixa – mais vale um pássaro na mão…

O Que Concluir?

Se já tem um fundo de emergência e se não prevê vir a necessitar do seu dinheiro no curto prazo a alternativa pela amortização de alguns créditos pode ser muito benéfica. Naturalmente que quanto maior a taxa do seu crédito mais atrativa será a redução do endividamento. Assim, se tiver créditos com taxas superiores a 5%-7% será sempre mais vantajoso amortizá-los.

Se tiver crédito habitação com spreads antigos (abaixo de 1,5% de spread) fará sentido manter a sua poupança ou constituir contas poupança com prazo até 5 anos (onde as taxas são mais interessantes). No final do prazo veremos como estará a EURIBOR pois poderá fazer sentido amortizar nessa altura. Neste caso nunca valerá a pena amortizar o crédito.

Tem Créditos Mas Não Quer Amortizar?

Se tem créditos mas não os quer amortizar por uma questão de prudência ou por qualquer outro motivo mas se desejava baixar as suas prestações poderá fazer sentido conhecer a negociação de créditos. Em vários casos é possível baixar as taxas de juro do seu crédito e as prestações sem ter de fazer um novo crédito. E acredite que é mesmo possível baixar as suas prestações financeiras.

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