Onde vamos parar todos?

2
72

Ontem conhecemos novas medidas de “estímulo” do Banco Central Europeu para as economias na Zona Euro e talvez tenhamos alguma dificuldade em perceber como é que podem afetar o nosso bolso e as nossas vidas. Por um lado, se precisamos de estímulos significa que o horizonte traz consigo muitas incertezas e dificuldades, ambas naturais em qualquer ciclo económico, mas mesmo assim penalizadoras. Por outro lado, estas medidas têm impactos diretos nas nossas vidas, nomeadamente na esfera da Banca, do crédito e da poupança.

Ao nível da banca, vamos sentir pressões reforçadas nos resultados, pressões que terão de ser aliviadas no aumento de comissões (mais uma vez) e numa pressão acrescida para venda de crédito e de produtos conexos. O crédito tenderá a ficar mais barato, o que acaba por aumentar o rendimento disponível e consequentemente poderá induzir a crédito adicional e ao aumento do consumo. Um outro fator a considerar é o desincentivo à poupança, pois as taxas dos depósitos vão certamente convergir para zero nos principais bancos e as taxas garantidas de produtos alternativos (como PPR e seguros de capitalização) deverão aproximar-se de zero ou mesmo desaparecer.

O que podem as famílias fazer neste contexto? Como podemos aproveitar estas medidas a nosso favor? Podemos começar por aproveitar as descidas das taxas de juro para renegociar os nossos contratos de crédito. Podemos também escolher bancos que não tenham tradição de cobrar comissões bancárias. Finalmente, podemos usar o rendimento disponível acrescido pela via da queda das taxas de juro para amortizar créditos com taxas de juro mais elevadas, acabar com cartões de crédito e créditos de curto prazo. Por fim, correr a subscrever produtos financeiros com taxas garantidas antes que desapareçam.

Avalie este artigo
COMPARTILHAR
Artigo anteriorSabe o que é o BCE, SEBC e EUROSISTEMA?
Próximo artigoDicas de decoração para a sua casa: poupe na sua decoração
João Morais Barbosa
Iniciou a sua carreira no setor financeiro onde desempenhou funções de analista de ações e gestor de fundos de investimento. Especialização em mercados e ativos financeiros no ISCTE e uma pós-graduação em Análise Financeira no ISEG, curso que lhe conferiu o Certificado Europeu de Analista Financeiro. Fundou a Escola de Finanças Pessoais – sendo co-autor de seis livros nesta temática (Manual das Finanças Pessoais, Manual da Poupança, Como Acabar com as Dívidas Pessoais e Familiares, O meu primeiro livro de Finanças Pessoais e Como ensinar o meu filho a poupar, Viva uma Reforma Feliz). Através da Escola de Finanças Pessoais já formou mais de 5.000 colaboradores de empresas nacionais e internacionais. Tendo sido Diretor-Comercial na DignusCapital, decide criar o seu projeto próprio na área da renegociação e intermediação de crédito, fundando a Reorganiza, empresa onde trabalha atualmente.

2
Deixe um comentário

avatar
1 Comentar tópicos
1 Respostas do Tópico
0 Seguidores
 
Comentário mais reagido
Tópico de comentário mais quente
2 Autores de comentários
João Morais BarbosaNuno Correia Autores recentes de comentários
  subscrever  
mais recente mais antigo mais votado
Notificação de
Nuno Correia
Visitante
Nuno Correia

Muitos parabéns pelas suas publicações, já o sigo há umas semanas e devido às suas palavras decidi investir no Mintos, mas alongarei mais este assunto na publicação certa. A minha dúvida (pegando no meu caso) é o que devo fazer agora que só tenho crédito habitação, 1 carro a pagar com taxa de juro 0% e mais nenhum crédito?
Abater aos poucos o crédito da minha casa?