Crédito Habitação – O que fazer se as Taxas Subirem?

Tentando simplificar a forma de cálculo das taxas de juros que são apresentadas pelos bancos e instituições de crédito podemos dizer que a taxa de juro de um empréstimo é a soma de duas componentes: o valor da taxa de juro de referência do mercado monetário – a Euribor acrescido da margem que o credor tem de colocar para suportar o risco inerente ao próprio negócio – o Spread.

Euribor Nunca Esteve Tão Baixa

Nestes últimos tempos têm surgido notícias constantes sobre os valores mais baixos de sempre das taxas de referência, ou seja, a Euribor nunca esteve tão baixa. Este fenómeno tem especial relevância para quem tem Crédito Habitação, pois a prestação do crédito habitação está, geralmente, indexada à Euribor a 3, 6 ou 12 meses. Desta forma, uma vez que o Spread é algo que normalmente fica fixo ao longo da vida do contrato, o que faz alterar a prestação do crédito habitação é a variação da Euribor, que se reflete na alteração da taxa de juro mensal.

Numa primeira análise os portugueses ficam contentes com estas notícias, pois a verdade é que no meio de tantos cortes salariais e aumento dos custos de vida, o facto de ver a prestação do crédito habitação mais baixa é motivo de alegria. Contudo, esta alegria tem um reverso da medalha, que é: e quando a Euribor voltar a subir? Estás preparado para ter mais este aumento de encargos fixos mensais? Estás a tomar as devidas cautelas para essa altura?

E os Spreads Estão a Cair

Estas questões são ainda mais importantes para quem está neste momento a contratar novos créditos hipotecários. Repara que há uns anos atrás ouvias falar em campanhas de Spread zero, ou próximo do zero e agora dificilmente consegues obter crédito abaixo dos 2% de Spread.  Na prática as pessoas não ligam muito a esta situação porque fixam-se apenas no valor da prestação mensal. Pensam que conseguem pagar aquele valor face ao que ganham hoje e ficam descansadas.

E Quando a Taxa Começar a Subir?

Mas o problema maior vai ser quando juntarmos a estes créditos recentes, que têm Spread elevados, as subidas previsíveis da taxa de referência Euribor. Imagina que esta subida da Euribor acontece daqui por 1 ano, quem fez crédito habitação recentemente ainda terá valores em dívida muito altos, por isso a sua prestação será muito elevada. Ou seja, se estás no início do contrato e tens, por exemplo, 100.000 em dívida, uma subida da taxa de juro vai traduzir-se num esforço maior do que quem tem um crédito há muitos anos e os montantes em dívida são muito menores.

Cuidado Com os Novos Créditos

Assim sendo, podemos concluir que deverás ter uma grande cautela caso estejas a pensar contratar um novo crédito, procurando analisar se terás capacidade de o pagar caso a EURIBOR suba para 1,5%-2%. Deverás ponderar outras alternativas para a tua habitação, como seja o arrendamento, comparando custos e impostos. Deverás analisar, por fim, o custo total do crédito, tendo em conta não apenas o valor do empréstimo mas também o valor dos juros que irás suportar ao longo do contrato.

Artigo escrito por João Raposo no site Idealista



Deixe uma resposta

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Olá, sou o João, em que posso ajudar?

Outros