Como lidar com pequenas despesas no seu orçamento familiar?

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pequenas despesas

Sabemos o desafio que é fazer um orçamento familiar. Mas também sabemos as vantagens e o contributo que têm para o seu sucesso financeiro. Neste artigo vamos falar-lhe das pequenas despesas e alertar para algumas estratégias que podem ser usadas contra si.

O impacto das pequenas despesas no seu orçamento familiar

O ponto prévio que deverá considerar prende-se com o elevado impacto que as pequenas despesas têm ao longo do seu mês financeiro. Falamos aqui de despesas que tendemos a não considerar no orçamento como sendo despesas tão variadas como almoços, lanches, compra de revistas ou idas esporádicas ao cabeleireiro. Despesas que por tão pequenas que sejam fogem ao radar do nosso cérebro que teima em ser preguiçoso e só se lembrar das grandes despesas.

As pequenas despesas do dia-a-dia podem facilmente representar €100-€200 todos os meses. Tendo em conta que o salário médio em Portugal ronda os €900, percebemos claramente o impacto que estas despesas têm no nosso orçamento familiar. Porque ignoramos estas despesas? Por comodismo? Por desconhecimento?

Como incorporar estas despesas no orçamento familiar?

Muitas famílias deixam uma margem no seu orçamento para despesas do dia-a-dia. Sendo certo que é melhor acautelar estas despesas no orçamento o facto de as englobarmos nesta conta maior acaba por traduzir-se num menor controlo e num relaxamento dos nossos critérios. Muitas vezes não sabemos para onde foi o nosso dinheiro…

Se não quiser ter o trabalho de controlar todas estas despesas sugerimos os seguintes passos:

  1. Faça um orçamento familiar com as grandes rúbricas;
  2. Contemple uma porção do rendimento para outras despesas cujo critério de classificação deva ser claro;
  3. Reserve uma percentagem do rendimento disponível para poupança, fazendo a poupança antes de todas as outras despesas (por exemplo, fazendo uso de uma estratégia de entregas programadas).

Se tiver uma poupança regular estará já a controlar o seu orçamento pois consegue criar um efeito de escassez que o obriga a cortar custos e a ser mais rigoroso. Não é o ideal mas também o ótimo é inimigo do bom.

Como as estratégias de marketing se aproveitam de si?

Se muitas destas despesas são classificadas como outras despesas e se tendemos a conseguir registar as despesas de maior valor vemos que existe aqui espaço para o descontrolo. Se não controlamos iremos gastar mais. Parece evidente? Como responder as estratégias de marketing a esta organização mental?

Simples. Consideremos dois exemplos retirados de um paper de Richard Thaler (1999):

  • Partir o preço mensal em parcelas mais reduzidas – Muitas estratégias de marketing de grandes empresas focam a atenção dos seus clientes em partir o valor da prestação mensal em prestações diárias. Neste caso, uma mensalidade de €60 é vendida como um “cómodo valor de €2 por dia). Se uma despesa de €60 pode entrar numa determinada conta do orçamento familiar (e ser reconhecida como tal logo questionada) uma despesa de €2 por dia já entra nas “outras despesas”.
  • Medicamentos para deixar de fumar – Os medicamentos para deixar de fumar ou outras estratégias que advogamos neste site focam-se exatamente no oposto. Por exemplo, para criar o incentivo de poupar dinheiro no tabaco podemos transformar a poupança que resulta de deixar de fumar um maço por dia (por exemplo, €4 por dia), num valor de poupança mensal de €120 ou mesmo de poupança anual de €1440. Este valor torna-se mais visível e mais atrativo.

Um segredo bem guardado…

Esta forma de organização da nossa contabilidade mental é há muitos anos conhecida pelas várias empresas que lhe querem vender alguma coisa. Podemos pensar que somos racionais mas para vivermos neste mundo repleto de informação e de confusão criamos estratégias mentais que são permeáveis ao erro e à manipulação. O bom é que podemos usar estes mecanismos em nosso proveito bem como aprender com estas técnicas para evitar problemas no futuro.

Como começar a poupar dinheiro hoje?

Fazendo uso destas teorias, por que não começar a poupar já hoje? Veja se não é possível:

  1. Dispor de €1 por dia;
  2. Aplicar este dinheiro numa conta poupança com entregas mensais programadas e com eficiência fiscal;
  3. Começar já hoje.

Se fizer assim com grande probabilidade dentro de 2 anos terá perto de €1000 que poderá usar para gastar como bem entender. Por que não ir de férias?

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João Morais Barbosa
Iniciou a sua carreira no setor financeiro onde desempenhou funções de analista de ações e gestor de fundos de investimento. Especialização em mercados e ativos financeiros no ISCTE e uma pós-graduação em Análise Financeira no ISEG, curso que lhe conferiu o Certificado Europeu de Analista Financeiro. Fundou a Escola de Finanças Pessoais – sendo co-autor de seis livros nesta temática (Manual das Finanças Pessoais, Manual da Poupança, Como Acabar com as Dívidas Pessoais e Familiares, O meu primeiro livro de Finanças Pessoais e Como ensinar o meu filho a poupar, Viva uma Reforma Feliz). Através da Escola de Finanças Pessoais já formou mais de 5.000 colaboradores de empresas nacionais e internacionais. Tendo sido Diretor-Comercial na DignusCapital, decide criar o seu projeto próprio na área da renegociação e intermediação de crédito, fundando a Reorganiza, empresa onde trabalha atualmente.

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