Kakebo: a arte japonesa de poupar dinheiro

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Kakebo: a arte japonesa de poupar dinheiro

3 min Partilhar 5 de Novembro, 2021

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A poupança é uma ferramenta fundamental para equilibramos as nossas finanças pessoais e podermos atingir a liberdade financeira. Hoje falamos de um conhecido método japonês, muito divulgado e usado no âmbito doméstico: o método kakebo. Algo simples, mas eficaz, e importante para quem não tem hábitos de poupança.

Os japoneses usam uma ferramenta que os ajuda na tarefa de controlar as despesas do dia a dia: é o kakebo e exige uma certa metodologia, mas pede muito pouco ao consumidor – apenas um caderno, caneta, regularidade e alguma paciência.

Este caderno vai permitir que se torne um melhor gestor do seu rendimento ou do rendimento familiar, nomeadamente se sente que o fim do mês é sempre complicado ou se nunca consegue atingir objetivos e realizar sonhos. Ganhar equilíbrio financeiro não é perder qualidade de vida, mas sim gastar com mais sabedoria, aprendendo a poupar com metas.

A origem do Kakebo

O kakebo é a palavra japonesa para definir o referido ‘livro de contas domésticas’, e as suas origens remontam ao início do século XX, em 1904. A ideóloga do método foi Hani Motoko, considerada a primeira mulher jornalista no Japão. A intenção dela era encontrar uma maneira de ajudar as mulheres a administrarem melhor a economia familiar. O kakebo foi uma ferramenta libertadora para as mulheres à época, porque lhes dava mais controle sobre as decisões financeiras a tomar.

Estes livros são ainda hoje vendidos no Japão e um pouco por todo o mundo,  apesar de todas as folhas de excel, aplicações e demais tecnologia que existe para ajudar as pessoas a gerir despesas e receitas.

As vantagens face às apps e ao excel

Muitos são os estudos que comprovaram que escrever manualmente determinada informação nos ajuda a reter melhor o seu conteúdo, do que se usarmos o computador ou o telemóvel para a mesma tarefa. O Kakebo obriga a esse exercício, e também a refletir sobre o que se está a escrever, a valorizar o rendimento, e a pensar em como e porquê se fez determinado gasto. Escrever é lembrar duas vezes, daí que o kakebo seja um ótimo complemento para a gestão do seu orçamento familiar.

A criadora do Kakebo incluiu na agenda alguns ditados japoneses, conselhos de poupança e perguntas como: ”que gastos o têm surpreendido mais?” ou “sabe valorizar as coisas para além do seu preço?”. O método japonês de poupança obriga-o, portanto, a focar no presente e encoraja-o a pensar o futuro.

O método Kakebo

Este livro-agenda, com um design apelativo, permite organizar e gerir o orçamento mensal e o orçamento familiar. Segue três princípios:

  1. Controlar todas as despesas, semana a semana, reorganizando o consumo diário e analisando os resultados no final de cada mês.
  2. Priorizar e categorizar os gastos, de acordo com as necessidades diárias, apelando também para um consumo mais consciente e responsável.
  3. Permitir uma análise profunda ao consumo diário, para poder encontrar formas de substituir hábitos financeiros ineficazes, e que estão desajustados face à sua vida e rendimentos.

O Kakebo está dividido em 12 meses, com espaço para registar as receitas, as mais variadas despesas diárias fixas e extra. O livro permite também anotar os objetivos financeiros para os próximos 30 dias.

A ideia é chegar ao fim do mês e ter dados para analisar os gastos e a poupança semana a semana, calcular a poupança que conseguiu, e perceber o que correu bem, ou que ajustes são precisos fazer e em que área. Quando chegar ao final do livro, o método Kakebo propõe ainda um balanço anual onde é possível analisar as despesas dos últimos 12 meses por categorias, verificar os melhores truques, e os maiores entraves.

Como fazer o balanço?

Para fazer um balanço, pode responder a quatro perguntas:

  • Quanto dinheiro guardou?
  • Quanto dinheiro gostaria de guardar?
  • Quanto dinheiro gasta na prática?
  • O que é que mudaria no próximo mês para melhorar?

A filosofia do método é focar-se na poupança que a pessoa quer obter naquele mês, e não no valor que ficará disponível depois de pagar as contas. No fundo, o método mostra o que é um gasto essencial, e o que é supérfluo e pode ser eliminado. Partimos para um novo mês com a ideia da quantia queremos poupar, e qual a estratégia para o conseguir.

Os defensores deste sistema kakebo acreditam que o método também tem a ver com consciência e até autoconhecimento, e acreditam que, por ser um método manual, deixa qualquer pessoa mais consciente sobre onde gasta o dinheiro, o que acaba por levá-la a pensar sobre estratégias para que poupar dinheiro seja mais eficaz. Já pensou em experimentar?



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